O Altar de Incenso
Êxodo 30:1-10 nos dá uma
descrição do Altar de Incenso (Altar de Ouro). Aparentemente, ele parece estar
fora de lugar, já que as outras mobílias do Lugar Santo foram vistas em Êxodo
25. Entretanto, sabendo que a Bíblia é inspirada, ficamos certos que há uma boa
razão para isto. Ao darmos prosseguimento, ficará claro, que o Altar de Incenso
não poderia ser entendido até que o altar dos holocaustos e seus sacrifícios se
tornassem familiares ao leitor. De fato, o Altar de Incenso não poderia ser
usado até que o altar dos holocaustos entrasse em serviço.
I. A Descrição do Altar de Incenso
O Altar de Incenso ficava no Lugar Santo, diante do Véu. Ele era
pequeno, medindo um côvado de comprimento por um de largura e dois de
altura. Ele tinha uma coroa de ouro ao redor do topo e pontas em cada
um dos seus cantos. Como a Arca e a Mesa dos Pães, ele também era
carregado através de varais cobertos de ouro. Quando transportado, o
altar era coberto com um pano azul e sobre ele uma outra coberta de
peles de texugo (Números 4:11).
O Altar de Incenso não era usado para sacrifícios. Incenso era queimado
na parte de cima do altar de manhã e à tarde (versículos 7-10). O
incenso era de um tipo especial, o qual estudaremos mais à frente
(versículos 34-38). Não havia grelha no altar, e nem fogo era aceso
nele. O incenso era queimado com as brasas provenientes do altar dos
holocaustos.
II. A Obra Intercessória de Cristo
O Altar dos Holocaustos era um símbolo da morte expiatória de Cristo no
Calvário (Romanos 5:8). Ele revelava o julgamento de Deus sobre o Filho
enquanto sofreu em nosso lugar (Isaías 53:10). O Altar de Incenso era
uma figura da atual obra intercessória de Cristo. Ele agora vive no
céu, para testificar através de Sua presença, que a nossa dívida de
pecado foi paga. Este atual ministério de Cristo é um tema principal
das Escrituras (Romanos 5:10; Romanos 8:34; Hebreus 9:24; I João 2:1).
O incenso é uma figura da influência intercessória de Cristo em nosso
favor. Seu cheiro suave revelava que o Pai ficou satisfeito com a obra
redentora de Cristo na cruz (Efésios 5:2). O uso diário do incenso
mostrava o Senhor Jesus vivendo sempre para realizar esta obra (Hebreus
7:25).
A ligação entre o incenso e a expiação feita no altar dos holocaustos é
vividamente retratada em Números 16:46-48. O incenso relembrava Deus da
expiação feita no altar dos holocaustos, ficando assim encerrado o
julgamento. Pelo fato de Cristo viver sempre na presença do Pai, as
marcas do Calvário estão sempre presentes, como um lembrete de que
nossos pecados foram pagos. Mesmo em glória Ele carrega as evidências
dos Seus antigos sofrimentos (Apocalipse 5:6). Por isso os remidos
nunca podem ser condenados (Romanos 8:34).
Uma maneira de gravarmos melhor a ênfase simbólica do Altar de Incenso
é contrastarmos ele com o altar dos holocaustos. Desta maneira
poderemos ver como cada um apontava para os diferentes aspectos da obra
salvadora de Cristo.
a. O cobre
nas Escrituras tipifica o julgamento. O Altar dos Holocaustos, de bronze/cobre
aponta para o Gólgota, onde Cristo foi julgado por nossos pecados. O ouro do
Altar de Incenso revelava Cristo em Sua atual posição em glória, onde Ele vive
para interceder por Seu povo.
b. O Altar
dos Holocaustos ficava fora do Tabernáculo, para tipificar o sofrimento de
Cristo diante do mundo, enquanto o Altar de Incenso ficava dentro do Lugar
Santo.
c. O Altar
dos Holocaustos tinha grelha e fogo. O Altar de Incenso não tinha nenhum dos
dois, mas queimava incenso com as brasas emprestadas do altar dos holocaustos.
Este ponto é muito importante.
d. O perfume do incenso subiu pela virtude do
poder (as brasas) emprestado do altar dos holocaustos. Isto claramente mostra,
que o sucesso da atual intercessão de Cristo, está baseada na Sua morte,
ocorrida anteriormente no Calvário (Romanos 8:34). Sem o altar dos holocaustos
o Altar de Incenso seria inútil. Estas verdades nos ensinam porque o uso de
!fogo estranho? era uma ofensa tão séria (Levítico 10:1-3). Isto era o mesmo
que ensinar que poderia haver aceitação diante de Deus por outros meios além
da cruz de Cristo. Aqueles que pregam a salvação através dos méritos humanos
estão trazendo !fogo estranho? diante do Senhor.
e. O Altar
dos Holocaustos era um lugar de sofrimento e tristeza. O Altar de Incenso era
um lugar de triunfo e alegria. Quão cegos são aqueles que pensam que Cristo
está ainda se oferecendo como um sacrifício perpétuo pelos nossos pecados.
Nenhum sacrifício era oferecido no Altar de Incenso. Cristo morreu uma vez e
agora vive para ver que aqueles que foram comprados pelo Seu sangue nunca
perecerão.
f. O Altar
dos Holocaustos não tinha coroa. O Altar de Incenso tinha uma coroa para
tipificar a presente glória de Cristo.
III. Nossas Orações
O Altar de Incenso também nos lembra das orações do povo de Deus.
Incenso é uma figura das orações nas Escrituras (Salmo 141:1-2;
Apocalipse 5:8). O povo de Israel orava enquanto o perfume do incenso
diário subia (Lucas 1:8-10).
Nós não estamos nos contradizendo quando vemos no incenso uma figura
tanto das orações de Cristo quanto das nossas orações. De fato, há uma
harmonia maravilhosa. Por causa do pagamento feito por Cristo pelo
pecado, Ele pode se chegar ao Pai em nosso favor . Da mesma forma,
através do Calvário, nós temos acesso ao Pai. Tanto nós quanto as
nossas orações somos aceitos através da obra consumada de Cristo. Esta
é a razão de orarmos em nome de Jesus (João 16:23). Este é o quadro
pintado em Apocalipse 8:3-5. O incenso do precioso nome e obra de
Cristo sobe com as nossas orações e por esta razão são ouvidas.
Assim como o incenso era queimado diariamente pela manhã e à tarde, vamos então ser constante em orar.
Autor: Pr. Ron Crisp
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